Segundo o documento policial, o menino preferiu dormir durante a aula para evitar que a mãe fosse acionada na escola. Porém, durante o intervalo, o agressor jogou água fria para acordá-lo. A atitude foi suficiente para despertar uma crise de pânico na vítima.
O relato da mãe é emocionante. Em meio às lágrimas, ela contou que soube do ocorrido após ser informada pela escola de que o filho estava na enfermaria. Encontrou o menino com um hematoma no rosto. Ele não conseguia falar.
O estudante foi levado para a terapeuta, com quem faz acompanhamento. Durante a consulta, conseguiu relatar todo o acontecido. A mãe dele voltou à unidade escolar com um relatório da profissional. O documento aponta a necessidade do cumprimento da lei que determina um professor de apoio para o aluno com TEA.
A mãe do adolescente contou que, em uma reunião na escola, percebeu algumas funcionárias consternadas com o ocorrido. Porém, o diretor, na opinião dela, estava frio.
“Em nenhum momento, estava preocupado com o meu sofrimento e do meu filho, mas em defender a escola e o agressor”, contou.
Ela contou que o aluno que atacou o filho dela foi suspenso por dois dias. Na próxima segunda-feira (7), ele volta a frequentar a escola em uma turma diferente da vítima.
“A psiquiatra do meu filho foi bem clara quanto à necessidade imediata de expulsão [do agressor]. Enquanto ele estiver presente no âmbito escolar, o filho dela não tem condições emocionais de frequentar a escola. Ele não pode voltar presencialmente enquanto o agressor estiver presente em toda a escola, pelo medo e pânico de encontrá-lo em todos os ambientes”, afirmou.
Os pais da vítima se reuniram com os profissionais da escola na presença de duas advogadas e da psiquiatra que atende o menino.
“A terapeuta informou que ele estava com estresse pós-traumático, ansiedade generalizada e que não tem condições de frequentar a escola na presença do agressor”, contou.
Segundo a mãe do estudante, não é a primeira vez que o agressor atinge o filho dela. Ele tem má reputação entre os colegas e funcionários da escola, conhecido pelo comportamento irregular e violento.
“Deixei claro para a direção que, além do crime de lesão corporal, houve o crime de tortura, quando é virada uma grande quantidade de água na cabeça dele. Meu filho é gente e merece ser respeitado”, afirmou.
A reportagem entrou em contato com a Escola Santo Tomás de Aquino e recebeu um retorno às 12h13 desta sexta-feira (4).
“A Escola Santo Tomás de Aquino lamenta o episódio ocorrido na instituição, que ao longo de seus 68 anos de tradição, acolheu outros estudantes neurodiversos e sempre prezou por oferecer o acompanhamento adequado. A Escola afirma que, conforme alinhado previamente com os responsáveis pelo aluno, disponibilizou ao longo de todo o seu percurso educacional, o apoio necessário para seu desenvolvimento pedagógico, e que seguirá oferecendo todo suporte para a família, bem como a manutenção dos canais de diálogo, valor fundamental da Instituição. A Escola reitera ainda que tomou todas as medidas iniciais necessárias e segue apurando todos os detalhes, acompanhando de perto as rotinas dos alunos a fim de garantir a integridade de todos que convivem sob a sua tutela.”
O que diz a Polícia Civil
“Sobre os fatos registrados na terça-feira (1/11), em uma instituição de ensino localizada no bairro São Bento, na capital, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informa que apura o ocorrido. Nos próximos dias, os envolvidos serão ouvidospara prestar esclarecimentos. Mais informações serão repassadas em momento oportuno para não atrapalhar os trabalhos investigativos.”
Fonte: G1