
Organização criminosa teria causado prejuízo superior a R$ 1,5 milhão a empresas do setor agrícola; mais de 125 toneladas de produtos foram apreendidas
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) desarticulou uma organização criminosa suspeita de atuar na adulteração e comercialização irregular de fertilizantes de alto valor comercial no Triângulo Mineiro. Ao todo, dez pessoas foram indiciadas pelos crimes de adulteração de produtos destinados ao consumo ou à agricultura, organização criminosa e falsidade ideológica.
As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada em Repressão a Crimes Rurais, em Araguari. Segundo a Polícia Civil, o esquema teria provocado prejuízos superiores a R$ 1,5 milhão a empresas fabricantes e transportadoras do setor agrícola.
Caminhões eram desviados para galpão clandestino
De acordo com as investigações, o grupo utilizava um galpão localizado às margens da MG-414, em Araguari, como base para as operações.
Caminhões transportando fertilizantes puros eram desviados das rotas previstas e levados até o imóvel. Para dificultar o monitoramento das cargas, motoristas envolvidos no esquema desacoplavam os rastreadores dos veículos e os entregavam a outro integrante da organização, que permanecia em um posto de combustíveis.
Com isso, as empresas de gerenciamento de risco e as seguradoras recebiam informações que simulavam a permanência dos caminhões no local autorizado, enquanto os veículos seguiam para o galpão clandestino.
No imóvel, parte dos fertilizantes de maior valor era retirada das cargas e misturada a insumos de menor valor econômico. O processo era realizado com o uso de máquinas pesadas, como pá carregadeira e empilhadeira.
Depois da mistura, o produto era novamente acondicionado em bags, inclusive com lacres violados. O material adulterado era destinado a produtores rurais, enquanto o fertilizante puro retirado das cargas era comercializado separadamente pelos integrantes do grupo.
Mais de 125 toneladas apreendidas
As investigações também permitiram identificar a estrutura e a divisão de tarefas dentro da organização criminosa. Conforme a PCMG, havia integrantes responsáveis pela liderança e pelo custeio das operações, pela locação do galpão, pelo transporte das cargas e pela adulteração dos produtos.
Em 9 de julho deste ano, durante a ação policial que levou à localização do galpão, foram apreendidas mais de 125 toneladas de fertilizantes e insumos.
Também foram apreendidos uma pá carregadeira avaliada em aproximadamente R$ 330 mil, uma empilhadeira estimada em R$ 75 mil e um caminhão avaliado em cerca de R$ 420 mil, que seria utilizado no transporte das cargas envolvidas na fraude.
Com o encerramento das investigações, o inquérito policial foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para análise e adoção das medidas cabíveis.
Os indiciados responderão pelos crimes apontados no inquérito, cabendo à Justiça analisar as responsabilidades individuais de cada investigado.





