O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Inhapim, ofereceu denúncia contra um homem de 29 anos acusado de envolvimento em seis crimes praticados no interior do Presídio de Inhapim, no Vale do Rio Doce.
Segundo o MPMG, o denunciado responderá por favorecimento ao domínio social estruturado, coação no curso do processo, desacato, desobediência, vias de fato e porte de arma branca, em concurso material de crimes. A denúncia foi apresentada após investigação conduzida pelo próprio Ministério Público.
Um dos episódios ocorreu em 30 de julho de 2026, durante um procedimento de segurança. Conforme a denúncia, o homem teria se recusado a cumprir ordens de um policial penal e adotado comportamento agressivo e intimidatório.
Ainda segundo o Ministério Público, ele teria afirmado pertencer ao “crime” e ao Comando Vermelho, utilizando a suposta ligação como forma de intimidar o servidor. A investigação, entretanto, não encontrou elementos suficientes para comprovar que o denunciado efetivamente faça parte da organização criminosa.
O episódio também teria incluído ameaça contra o policial penal, com a intenção de fazê-lo deixar de exigir o cumprimento das normas de segurança.
Outro fato descrito na denúncia ocorreu em 27 de outubro de 2025, quando o acusado teria participado de um movimento coletivo de insubordinação durante a retirada dos presos para o banho de sol. De acordo com os relatos, os internos teriam resistido às determinações da equipe de segurança, sendo necessário o emprego gradual da força, incluindo spray de pimenta e munição não letal.
Já em 1º de março de 2026, o homem teria participado de agressões contra outro detento dentro de uma cela. A vítima relatou ter sido atacada por outros internos e, posteriormente, foi transferida para uma cela destinada à preservação de sua integridade física.
O último fato apontado pelo MPMG ocorreu em 3 de agosto de 2026, durante uma revista na cela 05. Os policiais penais teriam localizado três instrumentos perfurocortantes artesanais, conhecidos como “chuços”.
Dois dos objetos estavam escondidos em um compartimento entre a parede e a cama atribuída ao denunciado. O terceiro foi encontrado na grade da janela da cela.
Para o promotor de Justiça Jonas Junio Linhares Costa Monteiro, a atuação do Ministério Público tem como objetivo garantir o esclarecimento dos fatos ocorridos no ambiente prisional e, caso comprovadas as acusações, a responsabilização criminal, além da preservação da segurança de servidores e demais custodiados.
O oferecimento da denúncia não significa condenação. O acusado ainda terá direito à ampla defesa e ao contraditório durante o processo judicial.