Brasileiro de MG morre em combate na Ucrânia após ataque com drone

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Um brasileiro de 36 anos morreu em combate na Ucrânia no dia 19 de abril. Natural do Vale do Aço, em Minas Gerais, Dime Wester Guilherme da Costa foi atingido por um drone enquanto estava na linha de frente, segundo relato de um sobrevivente. A morte foi confirmada pela família dez dias depois, na última quarta-feira (29).

De acordo com os familiares, Dime vivia em Portugal há cerca de nove anos, onde trabalhava como auxiliar de cozinha no aeroporto de Lisboa. Ele tinha cidadania portuguesa e deixou uma filha de 11 anos, que mora em Ipatinga com a mãe.

Ainda segundo a família, ele decidiu se voluntariar para atuar no conflito mesmo sem experiência militar. Parentes afirmam que tentaram convencê-lo a desistir da ideia, alegando falta de preparo, mas ele manteve a decisão.

Dime teria sido recrutado por um brasileiro, com promessas de pagamento de cerca de 30 mil grívnias, além de bônus por missões e assistência à família em caso de morte. Antes de viajar, ele disse em mensagens que queria realizar o sonho de ser militar e também “levar a palavra do Senhor” aos soldados.

A viagem até a Ucrânia foi feita por terra. Ele saiu de Portugal de ônibus, passando por Espanha, França, Alemanha e Polônia, até chegar ao território ucraniano por volta do dia 16 de março.

Após um período de treinamento, Dime foi enviado à linha de frente em 14 de abril. Desde então, ficou incomunicável — segundo a família, os combatentes são orientados a não levar celulares para o campo de batalha.

A morte ocorreu cinco dias depois. Conforme relato de um sobrevivente brasileiro, Dime foi atingido enquanto corria em campo aberto, a cerca de 60 metros de um bunker, carregando armamento. O combatente que repassou as informações à família morreu no dia seguinte.

Inicialmente, os familiares foram informados de que o corpo teria ficado em destroços. Posteriormente, receberam a informação de que ele caiu no local após ser atingido, sem possibilidade de resgate devido ao risco de novos ataques.

A família afirma que o corpo não foi recolhido e permanece em uma área de difícil acesso. Até o momento, os parentes dizem não ter recebido contrato militar nem certidão de óbito oficial, o que impede o início de processos para garantir os direitos da filha.

Segundo a irmã, também há dificuldades de comunicação com pessoas ligadas à equipe de voluntários. Ela relata ter recebido respostas hostis ao buscar esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte e os procedimentos legais.

A família agora busca informações oficiais e tenta assegurar os direitos da criança deixada por Dime. Parentes esperam ainda que a história sirva de alerta para outros brasileiros que consideram se voluntariar para o conflito.

Fonte: G1

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